O GT2.3 Genômica, Proteômica e Biodiversidade do inctAmbTropic, coordenado pelos professores Rodrigo Torres e Mônica Adams comunica a apresentação de mais duas monografias, uma de mestrado e outra de trabalho final de conclusão de curso:

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Danielle Gama Maia (2014). Variação genética e a conservação do guaiamum (Cardisoma guanhumi, Decapoda: Gecarcinidae) em estuários do litoral de Pernambuco. Dissertação de Mestrado. Orientador: Rodrigo A. Torres; Co-orientador: Mônica L. Adam.

Resumo: 

A sobrepesca do guaiamum (Cardisoma guanhumi) e a perda de habitat contribuem para a redução da população da espécie, devido à maior susceptibilidade à deriva e ao gargalo genético, resultando em perda de potencial evolutivo frente às imposições seletivas do ambiente. Objetivou-se investigar a variação genética e a conectividade de C. guanhumi ao longo do litoral de Pernambuco a partir de 154 exemplares amostrados em cinco estuários com diferentes níveis de conservação. Nove primers ISSRs foram utilizados para acessar a constituição genética da espécie. A diversidade genética observada em C. guanhumi foi alta, contudo, parece haver uma tendência à perda da diversidade genética em áreas estuarinas com elevado grau de antropização. A hipótese de panmixia foi rejeitada em favor de uma distribuição heterogênea dos genótipos de C. guanhumi ao longo da região estudada (FST=0,19), evidenciando uma estruturação genética em fina escala geográfica, compatível com cenários de isolamento por distância. Análises de agrupamento e loci candidatos a estarem sob seleção positiva apontam que as populações de C. guanhumi do litoral Norte e Sul de Pernambuco comportam-se como Unidades Evolutivamente disjuntas e devem ser manejadas independentemente. Os resultados obtidos sugerem que a espécie pode estar em risco adaptativo e necessita de um plano de recuperação, uma vez que, a sua pesca é totalmente dependente dos estoques naturais, que se exauridos, implicarão em graves impactos ecológicos e socioculturais.

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Flavia Santos Andrade (2014). Análise da conectividade genética da tainha branca (Mugil curema Valenciennes, 1836) no Nordeste oriental do Brasil. Trabalho de conclusão de curso. Orientador: Rodrigo A. Torres

RESUMO:

Mugil curema é uma espécie amplamente distribuída ao longo do Oceano Atlântico com ocorrência nos ambientes tropicais e subtropicais. Esta espécie é considerada um importante recurso pesqueiro no nordeste oriental do Brasil e tem sido alvo da pesca extrativista. Entretanto, informações sobre conectividade e estruturação de populações de tainha são ausentes o que dificulta o manejar as atividades pesqueiras de forma sustentável. Essa informação é crucial para manejar as atividades pesqueiras focando em uma exploração sustentável. Foram amostrados 150 exemplares de M. curema de 5 sítios geográficos diferentes no nordeste oriental do Brasil, com o intuito de investigar as relações genéticas entre as áreas estuarinas acessadas. Sequencias parciais do gene citocromo b foram obtidas e analisadas por métodos de filogenia molecular e genética de populações. No geral, os resultados indicam que a tainha branca apresenta baixa variação genética, já que entre 150 exemplares foram observadas 37 variações para Citocromo b. Tal evidência sugere que cerca de um a cada quatro exemplares é diferente (25% de variação). Porém, Mugil curema é claramente dividida em duas populações bem suportadas que vivem em simpatria. M. curema tipo 1, o qual é intimamente relacionado com M. hospes, e M. curema tipo 2, o qual não foi encontrada na localidade de Tamandaré, PE. As análises de diversidade indicam o tipo 1 com baixa variação genética (~ 16% de variação). Já os dados para o tipo 2 sugerem uma variação genética moderada (~ 50%). Os dados demográficos sugerem regimes populacionais díspares: tipo 1 gargalo genético e tipo 2 expansão recente. O conjunto dos resultados sugere manejo pesqueiro diferenciado para ambas as populações já que se tratam de unidades evolutivas descontínuas com histórias demográficas particulares.

#Genômica #Guaiamum #Tainha

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