A linha de costa é uma região extremamente instável, sujeita a grandes mudanças em função de variações no padrão de ondas, no balanço de sedimentos, no nível do mar, ou como consequência de obras costeiras. Apesar dessas mudanças ocorrerem em diferentes escalas de tempo e espaço, estratégias simples de gestão para a ocupação da linha de costa, baseadas em estudos de longo prazo, podem minimizar prejuízos econômicos e ambientais.

É o que sugere o estudo Panorama da Erosão Costeira realizado sob os auspícios do Ministério do Meio Ambiente. Um grupo de pesquisadores do Instituto de Geociências da UFBA, alguns dos quais integrantes do inctAmbTropic, foram responsáveis pelo estudos dos litorais dos estados de Alagoas, Sergipe e Bahia. Segundo esse estudo, embora a tipologia de comportamento da linha de costa dominante nos três estados seja a de aparente “equilíbrio”, 26% do litoral alagoano (75 km), 50% do litoral sergipano (90 km) e quase 20% do litoral baiano (200 km) foram considerados como de elevada variabilidade e portanto instáveis, oferecendo assim um alto risco para ocupação humana – essas regiões estão principalmente associadas a desembocaduras de rios e canais de maré.

A recomendação é clara, nos trechos em que a linha de costa apresenta uma elevada variabilidade, a ocupação deve ser evitada, ou até mesmo proibida. Estas áreas são as mais instáveis e, na maior parte das vezes, é muito difícil prever o seu comportamento a longo prazo. Áreas como estas que ainda não estão ocupadas, poderiam ser destinadas à criação de unidades de conservação.

Nos trechos em aparente “equilíbrio”, onde o comportamento da linha de costa é mais previsível, o estabelecimento de faixas de recuo “non aedificandi” minimizaria em grande parte os problemas futuros de erosão. Embora essas áreas sejam mais estáveis, ainda assim, estão sujeitas a variações na posição da linha de costa decorrentes, por exemplo, de eventos extremos associados a tempestades.

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